Principais doenças de cães


Raiva

A raiva é uma zoonose (doença comum entre os seres humanos e os animais) que pode atingir a quase todos os animais de sangue quente, causando distúrbios neurológicos e 100% de letalidade

AGENTE INFECCIOSO: É causada por um Lyssavírus RNA bastante resistente aos intempéries, porém sensível aos desinfectantes e sabões.

OCORRÊNCIA: Pode ocorrer no mundo inteiro, através da comercialização de animais.(quarentenas e restrições na importação de cães e animais sivestres são indispensáveis no controle).

TRANSMISSÃO: 95% das transmissões para os homens e cães são por mordedura, sendo que através da lambedura é comum nos casos de ataques por morcêgos vampiros (Desmodus rotundus) contaminados. A raiva está presente na saliva dos animais doentes, e seus hospedeiros preferenciais são os canídeos (chacal, lobo e raposa, vetor principal), tendo como reservatório os animais silvestres; 5% dos cães podem eliminar o vírus até uma semana antes de ficarem doentes. O período de instalação do quadro clínico depende da localização da mordedura, local de exposição e contaminação pelo vírus e quantidade de vírus infectante.

SINTOMAS: A doença apresenta três estágios clínicos.

Prodrômico: Caracteriza-se por mudanças de comportamento; animais silvestres perdem o medo dos seres humanos enquanto que animais de companhia tornam-se apreensivos, alertas e medrosos.

Excitação: Animais podem tornar-se hiper-reativos aos ambiente, podendo morder objetos variados (madeiras, cercas, metais, etc) e até imaginários. Alguns pacientes podem não manifestar estes sinais, se tornando apáticos.

Paralítico: A lesão de neurônios motores causada pelo vírus resulta em paralisia. A paralisia dos músculos da deglutição é responsável pela "baba"e incapacidade de engolir, gerando dores neste processo (medo de água).

A morte ocorre com menos de 15 dias, por parada respiratória.

DIAGNÓSTICO: O animal agressor deve ser capturado com os devidos cuidados e levado para isolamento e, caso este morra, deve ser realizada a necrópsia para pesquisar o vírus ou lesões características criadas pelo mesmo, confirmando o diagnósico. NUNCA SACRIFICAR O ANIMAL, QUE DEVERÁ FICAR EM OBSERVAÇÃO EM LOCAL ISOLADO!

TRATAMENTO: Não é recomendado p/ animais doentes, devido ao risco de exposição ao vírus e contaminação do tratador.

No caso de mordidas ou contaminação de feridas no ser humano, a primeira atitude deve ser lavar o local contaminado com água e sabão em abundância.O animal agressor deve ser capturado para isolamento e a vítima encaminhada imediatamente ao Posto Médico.

CONTROLE: É feito através da vacinação dos cães, combate a morcêgos hematófagos em regiões com a doença e vacinação de animais silvestres via oral, utilizando iscas. Medidas de comercialização e quarentenas (4 a 6 meses) de animais em migração são de praxe em todo o mundo, além de vacinações maciças dos rebanhos bovinos.


Cinomose 

É uma virose que atinge os canídeos e outros carnívoros silvestres. Não é patogênica para os gatos e nem transmissível ao homem. Causa vários sintomas nervosos, cardio-respiratórios, digestivos, lesões pustulares na pele, podendo ser facilmente confundida com outras doenças.

AGENTE INFECCIOSO: Morbilivírus RNA envelopado da família Paramixoviridae.

OCORRÊNCIA: Em todo o mundo, preferencialmente nos canídeos jovens, de 2 meses a 1 ano de idade.

TRANSMISSÃO: A principal e mais problemática forma de transmissão é por via aérea (aerosóis e gotículas infectantes eliminadas por animais doentes).

SINTOMAS: Pode ocorrer febre de 39,5-41°C, corrimento ocular, catarro nasal, vômito, desidratação, diarréias fétidas que vão de brandas a hemorrágicas, tosse, agressividade, alterações motoras; animal se mostra assustado, deitado, ganindo, babando, sensível à luz, mastigando com boca vazia, podendo evoluir para paralisias. O cão fica em péssimo estado geral, tudo em uma a duas semanas.

DIAGNÓSTICO: Histórico e sinais clínicos são suficientes para diagnóstico; porém a confirmação é laboratorial.

TRATAMENTO: Deve ser conduzido pelo médico veterinário em função das condições do animal contaminado. 

CONTROLE: Realizar um bom esquema vacinal Seguir recomendações do veterinário.

Evitar locais que possam estar contaminados e cuidar para que o animais jovens não entrem em contato direto ou indireto (objetos, , locais de circulação) com cães contaminados.


Hepatite infecciosa

AGENTE INFECCIOSO: Vírus DNA pertencente à família Adenoviridae.

OCORRÊNCIA: Canídeos jovens do mundo inteiro (conhecida como Encefalite das Raposas). Pode haver infecção de animais adultos.

TRANSMISSÃO: A principal forma de infecção de cães é a via oronasal, podendo animais tratados e curados eliminar vírus por mais de 1 ano através da urina.

SINTOMAS: A hepatite pode se apresentar desde forma super aguda até a forma crônica.

1) Super aguda: Vômitos intermitentes em animais jovens e morte súbita.

2) Aguda: O curso é de 1 a 2 semanas, com febre, icterícia, desidratação, vômito, inapetência, diarréia, opacidade de uma ou das duas córneas e mortalidade de aproximadamente 30% dos infectados.

3) Crônica: Pequeno pique febril, inapetência, alguns vômitos; 10% de mortalidade.

DIAGNÓSTICO: É clínico, sendo realizado por um veterinário experiente. Confirmado por exames laboratoriais.

TRATAMENTO: Deve ser conduzido por veterinário, podendo ser indicada a internação.

CONTROLE: Programa vacinal eficiente. Evitar misturar animais idosos com jovens. Cuidado; objetos contaminados que podem levar à contaminação oral.


Parvovirose

AGENTE INFECCIOSO: Vírus DNA.

OCORRÊNCIA: Canídeos do mundo inteiro.

TRANSMISSÃO: Ocorre principalmente em animais jovens (até 4 meses). A contaminação é oronasal, devido ao contato com animais, alimentos ou objetos contaminados.

SINTOMAS: As formas podem ser entérica, cardíaca e nervosa.

1) Entérica: Até 1 semana após infecão. Ocorrem diarréias com ou sem sangue, mas com cheiro fétido e vômitos, podendo levar à morte rapidamente por desidratação.

2) Cardíaca: Morte súbita em 50% dos casos.

3) Nervosa: Distúrbios nervosos, cegueira, andar em círculos.

DIAGNÓSTICO: Clínico.

TRATAMENTO: Individual, segundo orientação do veterinário.

CONTROLE: Programa vacinal completo. Orientações e controles definidos pelo veterinário.


Leptospirose

É uma zoonose causada por bactéria que, se não tratada, pode causar até a morte do portador.

AGENTE INFECCIOSO: Bactérias do gênero Leptospira.

OCORRÊNCIA: Maioria das espécies mamíferas de todo o mundo.

TRANSMISSÃO: Se dá por contato direto com animais contaminados através de lambedura, relação sexual, leite; ainda penetração ativa do agente em mucosas e lesões de epitélio, inclusive por picadas de insetos sugadores de sangue.

Entretanto, a disseminação maior da leptospirose é pela água (brejos, alagados) e urina de animais contaminados (ratos).

SINTOMAS: A Leptospira ataca as hemáceas do hospedeiro, que entra num quadro de anemia inicialmente, até o comprometimento maior do fígado e dos rins, levando a um quadro de icterícia e uremia. Podemos enumerar como sintomas a anemia, febre, abortos e mesmo sintomas secundários, resultantes do enfraquecimento geral do animal, que adquire infecções oportunistas.

DIAGNÓSTICO: Clínico, porém deve ser confirmado por exame laboratorial e sorológico.

TRATAMENTO: O tratamento dos doentes devo ser orientado e acompanhado por médico veterinário .

CONTROLE: A doença deve ser prevenida através de vacinações periódicas, eliminação de portadores e vetores (ratos, portadores não tratáveis), cloração de águas contaminadas ou suspeitas e cuidados com a armazenagem de alimentos e águas para consumo.


Leishmaniose canina

Zoonose que pode levar à morte do homem, se não descoberta e tratada a tempo.

AGENTE: Leishmania chagasi e Leishmania brasiliensis.

OCORRÊNCIA: Países subdesenvolvidos, com clima úmido e reservas botânicas que propiciem a multiplicação do "mosquito palha" (flebótomo), uma espécie de pernilongo hematófago.

TRANSMISSÃO: O mosquito, ao picar animais contaminados e posteriormente sadios, dissemina a doença. Alguns portadores podem ter sobrevida de mais de 10 anos (portadores sãos), ou seja, não morrem, mas disseminam a doença. O mosquito pode carrear a leishmaniose por um raio de até 1500 metros.

SINTOMAS: No cão; perda de pêlos, emagrecimento, lesões cutâneas resistentes a tratamento, feridas no focinho, febre variável, crescimento exacerbado das unhas. A leishmaniose apresenta duas formas de ação sobre o hospedeiro. A FORMA CUTANEA e a FORMA VISCERAL; nesta última, teremosa queda da imunidade do animal e consequentemente infecções poderão surgir indistintamente, com vômitos, diarréias e enfraquecimento geral.

No homem, anemia, lesões cutâneas que não curam, febre, perda de apetite, infecções secundárias, crescimento de linfonodos semelhante ao linfoma (câncer do sistema linfático), causando compressões diversas. Há acentuado crescimento das víceras, no caso da leishmaniose viceral.

TRATAMENTO: Apesar de varios estudos e experimentos realizados no Brasil e no mundo, não há ainda um tratamento confiável para a doença nos cachorros, que podem se tornar portadores sãos (com poder de disseminar a doença); também não existe vacina para a leishmaniose. Já no caso do homem, felizmente o tratamento existe e é eficaz, devendo o portador certificar-se da doença o mais rápido possível, buscando assistência médica imediatamente.

CONTROLE: Programa de combate ao mosquito, detetizando domicílios quinzenalmente por 3 anos, associado a programa de diagnóstico e combate ao hospedeiro intermediário infectado, o cão. Apenas sacrificar os animais positivos não impede em nada a disseminação e permanência da doença.